Mayara Wal
30/10/15

CONVERSARTE #04

Com o tema “Produção audiovisual contemporânea”, o 4º encontro do Conversarte contou com a presença dos ilustres Fernando Meirelles e Marcos Magalhães. O Primeiro, internacionacionalmente renomado cineasta, produtor e roteirista brasileiro que ganhou notoriedade internacional com o filme Cidade de Deus (2002), e dono da produtora O2 Filmes, o segundo é autor de curtas-metragens em animação, entre os quais “Meow!”, ganhador do Prêmio Especial do Júri no Festival de Cannes em 1982  e um dos fundadores do Anima Mundi.

Foto: Daniel Rebello

Foto: Daniel Rebello

Coincidência ou não, o evento mais cheio desde o início dos encontros, teve como primeiro tópico de discussão a produção audiovisual brasiliera que, segundo Meirelles, teve uma explosão nos últimos anos. O diretor cita universidades de renome no país, como USP e FAAP que tem produzido projetos piloto e formado profissionais referência na área. Com tanta oferta de profissionias e produção de material crescendo cada vez mais o que dificulta o acesso dos brasileiros aos projetos produzidos aqui é a absorção do mercado, que não comporta tantos lançamentos nacionais segundo Meirelles. Marcos complementa afirmando que o marcado brasileiro tem “inabilidade” de absorver produtos de qualidade, pois ainda sofremos com preconceitos com a produção nacional.

Pra apimentar um pouco a discussão o mediador Igor Cordeiro, da Fundação Cultural de Curitiba, expõe o exemplo dos nossos vizinhos argentinos que conseguiram difundir a produção nacional com sucesso, e questiona porque aqui não conseguimos ainda. Fernando aceita a provocação e diz que lá eles tem uma produção superior sim pois, diferente do que acontecia alguns anos atrás aqui, lá há investimento e preocupação na criação de bons roteiros. Magalhães exemplifica com o Anima Mundi e diz que a resposta do público brasieliro para produção nacional é bem positiva, e cita exemplos de ações que poderiam ajudar a atiçar o interesse das pessoas para a produção local, como o Cineclube que são grupos de discussão sobre filmes/cinema que acontecem no Rio.

Falando um pouco sobre o futuro do cinema e tecnologias, o próximo tema é sobre filmes em 360º, ao que o diretor Fernando Meirelles diz ser uma possibilidade muito interessante ainda a ser muito explorada, pois dá a possibilidade de imersão do expectador do filme, dando liberdade de escolha da perspectiva que deseja assistir o filme, ou seja, o expectador está ativo no filme, e não depende apenas da perspectiva do diretor. E deixou no ar a vontade de criar uma ficção com essa tecnologia.

“Streaming é o futuro para a produção audiovisual?” Pergunta o superintendente da Fundação Cultural. Fernando e Marcos respondem que sim, o streaming veio para ficar, as tevês abertas ficarão, segundo eles, para eventos ao vivo e o modelo do Netflix será o padrão para as outras emissoras.

A conversa que trata sobre assuntos que variam entre ecologia e cinema nacional vai se encaminhando para um fim, e os diretores deixam como recomendação séries e filmes que têm acompanhado, são eles: “Santo forte”, “Irmãos de Jorel”, “Built Inside”, “Enter the voice”, “Boi Neon” e “Relatos Selvagens”.