Mayara Wal
24/07/15

#CONVERSARTE

Foi na tarde ensolarada da última quinta-feira (16) que a primeira edição do #Conversarte começou, com um agradável almoço que recebeu Ziraldo, Elifas Andreato e convidados no Carmesim, um espaço dedicado à arte, ao design e à gastronomia no centro de Curitiba. O menu era assinado pelo chef Marcos Bortolozo. Entre salada e risoto de pinhão com filé de porco ao curry conversamos sobre arte, design, ilustração, educação e política.

Crédito: Lucas Costa/Montenegro Produções.

Crédito: Lucas Costa/Montenegro Produções.

Elifas, designer gráfico e ilustrador, e Ziraldo, entre tantas coisas, cartunista e humorista, são muito bons amigos. Isso facilitou a conversa que fluiu quase que espontaneamente. Passando pelo tema de incentivo à cultura no Brasil, Elifas e Ziraldo defenderam que vivemos o melhor momento, mas longe de ser bom. Em contrapartida, há uma baixa em termos de qualidade artística. Hoje, segundo ambos, há certo comodismo conformista. No início de suas carreiras, a ditadura serviu como motivação para arte de resistência, reação ao governo repressor. Como citou Elifas, “toda grande obra vem de um momento de dor”. Essa arte não se expressa mais hoje.

Conversarte - Coletiva -7

Crédito: Lucas Costa/Montenegro Produções.

A conversa continua a noite quando Ziraldo e Elifas se unem ao designer e ilustrador André Coelho que, mediados por Cristiano Castilho, iniciam a mesa redonda em torno do tema “Expressionismo: a visão do artista na impressão do cotidiano”. Abrem assim o #Conversarte, que nas palavras do apresentador André Gomes, é um evento que estimula a saída dos tempos sombrios através da arte, cultura e amor.

Crédito: Lucas Costa/Montenegro Produções.

Crédito: Lucas Costa/Montenegro Produções.

Um dos primeiros pontos de discussão da noite é a respeito do papel do ilustrador, que como coloca Elifas, precisa fazer convites através do seu trabalho, deve convidar as pessoas a ler, a ouvir, a se interessar por aquilo que a acompanha. Assim como a ilustração através das charges “têm um compromisso de cumplicidade com quem lê, com o receptor daquela imagem” complementa Ziraldo. Andreato acrescenta ainda, que nos tempos de hoje, o que qualifica os trabalhos é a identidade do artista. “O artista tem que voltar a sua intimidade e conseguir comunicar e se destacar”. A arte feita por encomenda só é arte se o cliente não interfere e/ou modifica a produção artística. “Só se pode chamar de arte aquilo que você tem de mais sincero em você”.

Conversarte -6

Crédito: Lucas Costa/Montenegro Produções.

Com a presença de dois nomes importantes na luta contra o governo militar, não poderia faltar o assunto das manifestações através das redes sociais. Elifas logo se manifesta colocando que apenas o uso das redes não é suficiente se não houver mudança de pensamento. Ao que o chargista mineiro complementa com a célebre frase do sociólogo canadense Marshall McLuhan “O meio é a mensagem”. O mundo se esconde atrás da internet, não há curadoria, muito menos senso crítico. Ziraldo diz ainda que o que salva o homem é a curiosidade, que pode ser considerada um dom e que sem ela a internet não cumpre sua função.

A conversa se encaminha para o fim com o relato dos artistas sobre cases de trabalhos e a persistência que os fez continuarem. Elifas finaliza com uma frase inspiradora: “Minha arte é um manifesto contínuo e esperançoso de que um dia seja possível construir um país melhor”.

Por Mayara e Danielli Wal