Os Gêmeos no Museu Casa do Pontal

A arte de rua vem ganhando cada vez mais relevância e reconhecimento, adentrando galerias e museus, ganhando um status que muitas vezes difere da sua intenção inicial. Contudo, é inegável que intervenções urbanas, além do seu poder artístico, possuem também a força de atrair olhares para assuntos que muitas vezes são colocados fora de pauta.

Unindo arte ao poder intervencionista, o Museu Casa do Pontal e os irmãos Otávio e Gustavo Pandolfo, Os Gêmeos, desenvolveram um projeto de instalação permanente que traz uma crítica a sociedade contemporânea e seus movimentos de expansão e pertencimento.

_DSC0911-webA dupla de graffiteiros Os Gêmeos dispensa apresentações. Oriundos de São Paulo, a dupla alcançou fama e reconhecimento internacional, tendo suas artes expostas em diversos países, como Estadas Unidos e Alemanha. Já o Museu Casa do Pontal, apesar dos seus 35 anos de história, não figura entre os principais meios de comunicação e de divulgação, ficando fora do roteiro mainstream de museus do Rio de Janeiro. Apesar disso, conta com um acervo incrível de obras da arte popular brasileira, com destaque para as produções do Mestre Vitalino. Também está localizado em um lugar privilegiado, afastado do grande centro urbano, em meio à natureza, perto de praias paradisíacas. Além do mais, conta com uma arquitetura que favorece a natureza em seu entorno e que proporciona uma visita fluida.

_DSC0915-webPorém, todo esse patrimônio está ameaçado pela construção desenfreada de prédios ao lado do terreno. Esse movimento urbano expansionista e inconsequente, abre portas para discussões mais profundas sobre valores e pertencimento. E é dentro dessa discussão que foi criada a premissa para o projeto d’Os Gêmeos. Eles desenvolveram um bunker que guarda uma escultura de um personagem característico da dupla. Pelos materiais empregados e pelo caráter permanente, a obra visa chamar atenção para aquilo que precisamos preservar, transmitindo um ar de eterna vigilância e, ao mesmo tempo, força e fragilidade.
Por enquanto fica um sentimento de incerteza a respeito do futuro do museu, enquanto isso a esperança é que com essa obra ele se torne cada vez mais valorizado e que novas discussões possam ser abertas, dando uma importância significativa a um assunto tão relevante e impalpável, a arte.