Tangerine: Gravado em iPhone, filme chega a Sundance

Em um mundo de blockbusters e câmeras IMAX, é de se estranhar quando um filme completamente gravado em iPhone começa a receber tanta atenção. Mas não duvide da qualidade de “Tangerine”, pois o longa metragem foi um dos filmes mais surpreendentes e esperados do festival de cinema.

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Sendo um festival independente, Sundance valoriza ideias e métodos de vanguarda e o filme tem uma proposta que agrada em cheio. Mas embora a história e a escolha de atores tenha chamado atenção, o método de filmagem se sobrepôs a tudo isso.

O diretor Sean Baker utilizou exclusivamente de três iPhone 5s com lentes anamórficas acopladas, o que permitiu que uma área maior fosse filmada. Mas isso está longe de ter sido apenas uma decisão estilística, a escolha se deu também por conta do baixo orçamento disponível para as filmagens.

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Além das lentes anamórficas, Baker foi atrás de outros métodos para trazer a qualidade visual desejada ao filme, o aplicativo FiLMiC Pro foi um dos truques do diretor. Um software de apenas US$ 8 que garantiu o controle da granulação, de abertura da lente e também da “temperatura” das cores.

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Mas se você já fez um vídeo que seja na vida, sabe de uma verdade imutável: Mãos tremem. E quando se tem apenas iPhones, é certo que mesmo o mais controlado dos cinegrafistas cometerá um erro. Por esse motivo, Sean Baker escolheu utilizar o steadicam. Um aparato para dar estabilidade relativamente antigo, já que surgiu em 1975.

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Agora, se você acha que vai sair por aí fazendo longas metragens com seu iPhone, acalme-se. James Ransone, ator do longa, já revelou que não é tão simples: “Você precisa conhecer de edição, precisa capturar o som, saber como as câmeras trabalham. Você não pode simplesmente sair e gravar. Você pode fazer um lindo filme com baixo orçamento, mas tem de conhecer os 100 anos de estudo de cinema.”

Sobre “Tangerine”:

  • O filme conta a história de duas personagens, Alexandra e Sin-Dee, que passam por uma agitada véspera de Natal em Los Angeles, quando uma delas persegue seu cafetão, longe de ser um filme típico de Hollywood.
  • O papel de Alexandra foi o primeiro de grande porte da atriz transgênero Mya Taylor, que protagoniza o filme ao lado de Kiki Kitana Rodriguez, sua amiga pessoal.
  • Mesmo sendo bem recebido em sua primeira exibição no Festival de Sundance, “Tangerine” ainda luta para achar um distribuidor. É, nossa curiosidade ainda vai ter de esperar algum tempo.

Via FilmMaker